Comunicação
Do Parque dos Pesadelos ao topo do mundo: o poder da escuta na transformação educacional
Ana Luiza Galvão de Barros Villalobos Bueno
10 de agosto de 2026 às 15:00:00
Olá, querido leitor do portal Vamos Pacificar!
Em nosso último encontro, conversamos sobre como a comunicação é o fio invisível que conecta as pessoas e influencia a qualidade de nossas relações. Hoje, quero convidar você a viajar comigo até Cubatão, no estado de São Paulo, para conhecer uma história real que demonstra, de forma concreta, o poder transformador da empatia, do olho no olho e da escuta ativa.
Imagine uma comunidade escolar marcada pelo abandono, pela violência e pela falta de esperança. A situação da Escola Estadual Parque dos Sonhos era tão difícil que a unidade passou a ser chamada pela comunidade de “Parque dos Pesadelos”. Invasões, depredações, evasão escolar e insegurança faziam parte de sua realidade.
Em 2016, o professor Régis Marques Ribeiro aceitou o desafio de assumir a direção. Onde muitos enxergavam apenas problemas, ele reconheceu pessoas que precisavam ser vistas, ouvidas e valorizadas.
Uma das bases da transformação foi mudar a maneira como os estudantes eram recebidos.
Eles deixaram de ser tratados como números associados à evasão, à violência ou ao vandalismo e passaram a participar da construção da escola que desejavam frequentar.
A escuta abriu espaço para o protagonismo.
As conversas, os projetos de convivência e a valorização das ideias dos estudantes fortaleceram o sentimento de pertencimento.
Quando percebemos que a nossa voz tem valor, também passamos a cuidar do lugar do qual fazemos parte.
A antiga realidade do “Parque dos Pesadelos” começou, pouco a pouco, a dar lugar à Escola Parque dos Sonhos.
Mas a equipe sabia que essa comunicação pacificadora e transformadora não poderia permanecer apenas dentro da escola. Para educar e acolher, era preciso conhecer a realidade enfrentada pelos estudantes quando o sinal da saída tocava.
Nasceu, assim, o projeto “A Escola vai à sua Casa”. Professores passaram a visitar as famílias dos estudantes, compartilhando os projetos pedagógicos da escola e conhecendo mais de perto suas necessidades, dificuldades e histórias.
Sem julgamentos e com disposição para o diálogo, a escola construiu uma ponte com as famílias. Deixou de ser um prédio isolado no bairro e passou a ocupar um lugar de referência, acolhimento e pertencimento para toda a comunidade.
Os resultados apareceram. O número de matrículas aumentou significativamente, os episódios de vandalismo deixaram de fazer parte da rotina e novos projetos culturais, esportivos e sociais foram criados com a participação dos estudantes e professores.
A transformação iniciada em Cubatão atravessou as fronteiras do país. Em 2025, a Escola Estadual Parque dos Sonhos venceu o World’s Best School Prize, promovido pela T4 Education, na categoria “Superação de Adversidades”.
O reconhecimento internacional nos deixa uma lição profunda sobre as relações humanas. A pacificação e a transformação social podem começar com a coragem de dialogar e com a disposição de praticar uma escuta que reconhece o outro, acolhe sua vulnerabilidade e constrói pontes onde antes existiam muros.
A história da Escola Parque dos Sonhos nos mostra que escutar também é uma forma de devolver às pessoas a possibilidade de participar da própria história.
Que essa experiência nos inspire, em nossas casas, ambientes de trabalho, escolas e comunidades, a praticar o olho no olho e a perguntar genuinamente a quem está ao nosso lado:
“Qual é o seu sonho e como posso ouvir você hoje?”
Até o nosso próximo artigo!
Quando percebemos que a nossa voz tem valor, também passamos a cuidar do lugar do qual fazemos parte.

